Quarteto Lopes-Graça apresenta “Integral da Música de Câmara” de Joly Braga Santos – 30 Março – Cascais, Museu da Música Portuguesa

No próximo dia 30 de Março, o Quarteto Lopes-Graça sobe ao palco do Museu da Música Portuguesa, em Cascais, para prestar homenagem ao grande compositor Joly Braga Santos. Este evento integra-se no ciclo de concertos “Integral da Música de Câmara de Joly Braga Santos”, já iniciado em 2018, ano do 30º aniversário da morte do compositor, e serve para celebrar a obra de música de câmara de uma das principais figuras da música portuguesa do século XX.

O reconhecido quarteto de cordas, composto por Luís Pacheco Cunha (Violino), Maria José Laginha (Violino), Isabel Pimentel (Violeta) e Catherine Strynckx(Violoncelo) apresentará duas obras: “Quarteto de Arcos nº1, op.4”, uma obra de 1945, dedicada a Luís de Freitas Branco, que por 35 minutos nos transporta de Allegro moderato a Allegro con fuoco, passando por Andante tranquillo, e Allegro molto energico e appassionato; e “Quarteto de Arcos nº2, op.29”, de 1957 e dedicado a Maria José Braga Santos, em tons de Largo – Allegro moderatoAdagio molto – Andante con moto e Largo – Allegro molto vivace.

Este projecto da Musicamera Produções estreou-se em 2017 no CCB, e foi um tal êxito que aí voltou no ano seguinte, assim como passou por outras localizações como o Teatro Garcia de Resende, em Évora, e o CCCB, em Castelo Branco. Agora em 2019, e depois de Cascais, o Quarteto Graça-Lopes levará ainda este evento a Loulé, num gesto de “defesa e fruição de um acervo fulcral no devir da cultura musical portuguesa”.

Concerto da série “Integral da Música de Câmara de Joly Braga Santos” a não perder no dia 30 de Março, às 18h, no Museu da Música Portuguesa em Cascais.

Programas

Joly Braga Santos [1924-1988]
Quarteto de Arcos nº 1, op. 4 (1945) 35’00’’
Dedicado a Luís de Freitas Branco
Allegro moderato
Allegro con fuoco
Andante tranquillo
Allegro molto energico e appassionato

Joly Braga Santos [1924-1988]
Quarteto de Arcos nº 2, op. 29 (1957) 23’00’’
Dedicado a Maria José Braga Santos
Largo – Allegro moderato
Adagio molto – Andante con moto
Largo – Allegro molto vivace

MÚSICA E EMIGRAÇÃO – Recital Alejandro Erlich Oliva e Olga Prats – Teatro Municipal de Bragança 4/03/2017

Olga e Alex
MÚSICA E EMIGRAÇÃO
OLGA PRATS (piano) / ALEJANDRO ERLICH OLIVA (contrabaixo)
Musica sem fronteiras geográficas nem culturais sentida e dialogada em Portugal por dois intérpretes de eleição.
 
Programa
JOÃO RODRIGUES CORDEIRO
(Rio de Janeiro, Brasil, 1826 – Lisboa, 1881)
Fantasia para contrabaixo e piano
 
CONSTANÇA CAPDEVILLE
(Barcelona, Espanha, 1937 – Lisboa, 1992)
Amen para uma ausência
Versão para contrabaixo solo, dedicada a Alejandro Erlich Oliva
Visions d’ enfants
para piano
Quand je serai soldat
Mamman, j’ai vu dans la Lune
Caixa de Música
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GIOACCHINO ROSSINI
(Pesaro, Itália, 1792 – Paris, França, 1868)
Une larme pour basse
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MARIUS CONSTANT
(Bucarest, Roménia, 1925 – Paris, 2004)
Sisyphe
Sisyphe heureux
(de Trois Complexes pour piano avec contrebasse)
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ALEJANDRO ERLICH OLIVA
(Buenos Aires, Argentina, 1948)
Pequeña Canción y Danza
para contrabaixo e piano (in memoriam Ángel Lasala)
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ASTOR PIAZZOLLA
(Mar del Plata, Argentina, 1921 – Buenos Aires, 1992)
Kicho
 
Nesta produção nitidamente conceptual, o repertório escolhido focaliza compositores conotados com a emigração, nas suas diversas formas: própria ou dos progenitores, temporária ou definitiva, real ou metafórica.
João Rodrigues Cordeiro (1826-1881) nasceu no Brasil, filho do médico português Dr. Rodrigues Curto. Regressou a Portugal ainda criança, acompanhando a reinserção do seu pai no âmbito científico português.
Em movimentação contrária à de Rodrigues Cordeiro, o argentino Astor Piazzolla (1921-1992) partiu ainda criança para os Estados Unidos de América, com a forte influência que isso viria a ter no futuro da sua Música.
A compositora e pedagoga catalã – naturalizada portuguesa – Constança Capdeville (1937-1992) e o contrabaixista e compositor argentino Alejandro Erlich Oliva (1948) concretizaram em Portugal os seus mais significativos projectos artísticos, tal como o romeno Marius Constant (1925-2004) o fez na França, que outorgou-lhe altas condecorações de Estado.
Neste contexto, Gioacchino Rossini (1792-1868) representa um paradoxal caso de emigração dentro de fronteiras. Instalado na fama e detentor, ainda jovem, do elevadíssimo estatuto de compositor operático de prestígio internacional, Rossini enveredou por emigrar da sua própria criação, decretando um auto exílio – de motivação jamais esclarecida – que durou mais de três décadas, durante as quais não escreveu uma única linha de ópera.
O repertório resultante desta selecção configura um itinerário musical que abrange desde a primeira metade do Séc. XlX até aos nossos dias, passando pela modernidade e a vanguarda europeia, a Música Portuguesa, o folclore rural argentino e a Música Urbana Contemporânea de Buenos Aires.
Esta ampla variedade estilística está, porém, enquadrada num rigoroso factor de especificidade: todas as obras são originais para os instrumentos em que serão apresentadas.

Membros fundadores do Opus Ensemble e do Grupo Colecviva (dirigido por Constança Capdeville), a pianista Olga Prats e o contrabaixista Alejandro Erlich Oliva são dois “pesos pesados” da Música de Câmara em Portugal. Quando actuam juntos, o resultado geral é muito mais do que a soma das partes. Desde o Sec. XVIII  até aos nossos dias, passando pela modernidade, a vanguarda, a Música Portuguesa e o Tango, os recitais de Olga e Alex constituem momentos musicais de grande originalidade e rara beleza.