12 DE JULHO | 21H30

CCCCB | CASTELO BRANCO

FICHA ARTÍSTICA

BRIAN MACKAY |  DIRECÇÃO
ELIOT LAWSON  |  VIOLINO
LUÍSA CYMBRON  |  CONFERENCIER
ORQUESTRA SINFONIETTA DE BRAGA

DESCOBRIR NORONHA

COM A ORQUESTRA SINFONIETTA DE BRAGA

Por ocasião do bicentenário do seu nascimento, em terras vianenses, no âmbito deste projecto, estamos a promover a mais completa mostra de sempre da obra do compositor português Francisco de Sá Noronha . Autor de um importante projecto de ópera nacional, compôs duas óperas baseadas em obras de Garret - Beatriz de Portugal e O Arco de Sant’Ana – e foi criador de numerosas operetas, algumas delas muito ao gosto do Brasil, onde viveu  intermitentemente cerca de 30 anos. Noronha foi também o nosso mais importante violinista virtuoso do século XIX.

Foram assim convidados 2 violinistas virtuosos  – um belga e um italiano –  para promover o confronto da  sua obra para violino com a de outros mestres  seus contemporâneos - Paganini, Vieuxtemps, e outros violinistas seus contemporâneos e obras portuguesas para violino de todas as épocas.

Será gravada em CD a sua obra, e as suas partituras serão editadas e disseminadas gratuitamente por escolas de música e professores, com vista à inclusão de Noronha no canon do ensino do instrumento.

“Descobrir Noronha” cruza a sua vida aventurosa com a agitação do Liberalismo, período em que  Portugal descobre novos rumos. Será um ano em cheio e em contra-relógio para inscrever Noronha na nossa história colectiva.

ORQUESTRA SINFONIETTA DE BRAGA

 

A Associação Musical Sinfonietta de Braga nasce no ano de 2006, por iniciativa de um grupo de jovens bracarenses, alunos e ex-alunos do Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Braga, que decidiu fundar uma instituição musical que se dedicasse à divulgação da música erudita na região. A Sinfonietta de Braga representa uma simbiose de valores de partilha e amizade aliados a uma forte vontade de desenvolver a cultura musical da região, ao mesmo tempo que potencia as carreiras artísticas de músicos profissionais.

A Sinfonietta tem prestado um papel importante na valorização da profissão de Músico, tentando preencher as lacunas do mercado de trabalho nacional que não dá resposta ao percurso natural após a formação de nível superior, primando sempre pelo profissionalismo e pela justiça. Nos últimos anos, a AMSB tem feito um trabalho notável no paradigma cultural bracarense, papel esse reconhecido pelo Pelouro da Cultura do Município de Braga, que tem vindo a apostar na Sinfonietta como parceiro no desenvolvimento cultural da cidade.

Nos vários anos de atividade, a Sinfonietta teve oportunidade de se apresentar em vários locais do país e em distintos contextos musicais, com solistas internacionais Eliot Walton Lawson , Anton Martynov e músicos da região de Braga como o grande oboísta Samuel Bastos e a soprano Rita Morais. O ano de 2020 será um ano repleto de iniciativas, destancando-se os concertos comentados Falando de Música, 3ªedição, o projeto Descobrir Noronha em parceria com a Musicamera Produções e dois grandes projetos inseridos na programação de Braga Capital da Cultura do Eixo Atlântico 2020: o FIO - Festival Informal de Ópera apoiado pela DGARTES e o concurso Braga Young Virtuosi.

LUÍSA CYMBRON

MUSICÓLOGA

Luísa Cymbron estudou música em sua cidade natal (Ponta Delgada, Açores) e em Lisboa, obtendo toda a sua formação em Musicologia na Universidade Nova de Lisboa, onde se doutorou em 1999, com uma tese sobre ópera em Portugal durante o Período Liberal ( 1834-1854). É Professora Associada da NOVA FCSH (Departamento de Ciências Musicais), membro da direcção do Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical (CESEM), membro do grupo Caravelas e da Linha de Investigação em Estudos da Ópera. É também, desde 2013, editora para as recensões da Revista Portuguesa de Musicologia.

As suas principais áreas de especialização e interesse são a história da música em Portugal do século XIX, a ópera italiana e as relações musicais entre Portugal e o Brasil. Participou em projetos de investigação tanto a nível nacional como internacional e publicou um significativo número de artigos e capítulos de livros, em Portugal e no estrangeiro. É autora dos seguintes livros: História da Música Portuguesa com Manuel Carlos de Brito (Universidade Aberta, 1992), Olhares sobre a Música em Portugal no Século XIX (Colibri-CESEM, 2012) e Francisco de Sá Noronha (1820) -1881): um músico português no espaço atlântico (Humus-CESEM, 2019). É co-coordenadora de um volume no antigo Teatro S. João, no Porto (Edições Afrontamento, no prelo). Tem tido também actividade como divulgadora, em especial através de concertos comentados, abrangendo sobretudo a música de compositores portugueses e brasileiros.

FRANCISCO DE SÁ NORONHA

Violinista e compositor tão misterioso quanto cosmopolita, Francisco de Sá Noronha nasceu a 24 de janeiro de 1820, ano em que também o liberalismo português, agora prestes a comemorar dois séculos, via então a luz do dia. Filho de músico militar, aquele que é considerado o mais virtuoso dos violinistas portugueses contará com a música como a grande causa da sua vida. De Viana do Castelo, terra natal, partiu jovem para o Porto. Em 1838, passando pelo Funchal, rumou para o Brasil, numa travessia entre países irmãos que repetiria cinco vezes ao longo da sua vida e que, no plano pessoal, o fez conhecer a feminista argentina Juana Manso, com quem esteve casado mais de dez anos.

Após passagens por Cuba, Peru, Chile, Estados Unidos da América e Reino Unido – onde o Illustrated London News o comparou a Paganini –, regressou a Portugal em 1854, elogiosamente identificado como “primeira rabeca de Sua Majestade o Imperador do Brasil”, para concertos em Lisboa, Porto e Guimarães. Para além das mencionadas, foram várias as cidades portuguesas que tiveram oportunidade de ver e ouvir a imponente figura humana e musical de Sá Noronha ao longo das suas diversas estadias em território nacional, nomeadamente Coimbra, Vila Real, Braga, Portalegre, Lamego, Ponta Delgada.

Depois de um fulgurante percurso vital feito de aventuras, segredos e ecletismo, Francisco de Sá Noronha morre no Rio de Janeiro, a 23 de janeiro de 1881. Após uma subscrição aberta nas redações de alguns jornais do Rio, os seus restos mortais são transladados para um novo monumento erguido no cemitério de S. Francisco Xavier dessa cidade, a 14 de dezembro. A década seguinte assistirá à atribuição do nome de Francisco de Sá Noronha a uma rua no Porto e à oferta do seu violino Karl Grim ao Conservatório de Lisboa. O “bruto e excêntrico génio” – assim caracterizado pela imprensa  de Nova Iorque –, inseparável do violino e da partitura por criar, deixa uma notável obra, que vai desde a Ópera à Música Sacra, desde a Música para Concerto à Música Vocal, atravessando tanto as fronteiras conceptuais quanto as geográficas.

PROGRAMA

SÁ NORONHA, Francisco
[V. do Castelo, 1820 – Rio de Janeiro,1881]

Abertura da Opereta “Os Noivos”
(Rio de Janeiro,1880)
Prelúdio - Valsa

Variações “Domino Noir”
para violino e orquestra
sobre temas da ópera Le Domino Noir de Daniel Auber (1837)
partitura de orquestra recuperada por César Viana

Allegro de Concerto
para violino e orquestra
partitura de orquestra recuperada por César Viana

VIEUXTEMPS, Henri
[Verviers, 1820 – Argel, 1881]

Allegro de Concerto, em si m, op. 59
para violino e orquestra
dedicado a Eugène Ysaye
partitura de orquestra recuperada por César Viana

BRAGA-SANTOS, Joly
[Lisboa, 1924 – 1988]

Concerto para Orquestra de Cordas, op. 17 (1951)

Largamente maestoso - Allegro
Adagio non troppo
Allegro ben marcato

SANTOS PINTO, Francisco
[Lisboa, 1815 – 1860]

Abertura “O Crepúsculo”
para orquestra

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