QLG – Graças e Musas do Brasil

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FICHA ARTÍSTICA:

Juliana Mauger – Mezzo-soprano

QUARTETO LOPES-GRAÇA

Luís Pacheco Cunha  – Violino

Maria José Laginha – Violino

Isabel Pimentel – Violeta

Catherine Strynckx – Violoncelo

 

SINOPSE

Um programa exuberante de expressividade e alegria, retratos de um Brasil de antanho, com toda a graça, irreverência e brejeirice que ainda lhe reconhecemos. Ante os nossos olhos e ouvidos desfilam salões aristocráticos, coronéis e sinhazinhas, cangaceiros, salteadores, jagunços e mães-de- santo, deuses e orixás numa farândola colorida de pimenta, cravo e canela, que se estende do litoral ao sertão. Juliana Mauger, cantora lírica brasileira, é cicerone ideal para tal viagem.

 

PROGRAMA

ESTA NOITE

José Francisco Leal [1792–1829]

Integrou a colectânea Modinhas de bom gosto do próprio compositor. O mesmo era considerado na época o melhor tenor do Rio de Janeiro.

 

A MARREQUINHA DE IÁIÁ OU O LUNDUM DA MARREQUINHA

Francisco Manuel da Silva [1795 – 1865], e Francisco de Paula Brito [1809-1861] (letra).

O compositor foi figura de grande importância na história da música brasileira. Foi autor do célebre hino nacional, 40 anos antes da letra lhe ter sido atribuída. Homem de grande empreitada e coragem fundou varias academias e importantes escolas de música no país, inclusive o Conservatório do Rio e a futura Universidade de Música. Deixou vasto arquivo de música sacra, modinhas e lundums. Foi nomeado patrono da célebre cadeira nº 7 da Academia Brasileira de Música.
O lundum tem origem num ritmo africano e transitou das senzalas para os salões, no séc. XIX,em que as melodias ganhavam letras cheias de duplo sentido e de referências maliciosas.

 

COCO PENERUÊ (1936)

Waldemar Henrique [1905-1995] (arranjo e harmonização)

Dança de terreiro, estilo baião, do norte e nordeste, em que o ritmo se parece com a batida da casca do coco, originário de um de um tipo de lundum denominado “baiano”, sendo baião a sua corruptela. Recebeu também influências da música caipira (dos camponeses) e indígena.

Waldemar Henrique foi um maestro, compositor e pianista de Belém do Pará, nascido em 1905. Viveu até 1918 no Porto após o falecimento da mãe. O pai era português. Retornou para o Brasil, indo viver no interior da Amazónia  e recolhendo aí os elementos culturais que formariam a espinha dorsal da sua obra musical, que tem como temas principais o folclore amazónico, indígena, nordestino e afro-brasileiro.

Sua composição foi variadíssima, desde obras sacras até temas de filmes, teatro e novelas. Até aos dias de hoje muitos músicos recorrem à sua obra para fins de pesquisa.

 

A.B.C. DO LAMPEÃO

Waldemar Henrique [1905-1995] (arranjo e harmonização)

Peça alusiva ao mítico personagem do nordeste, conhecido como  o rei do cangaço (grupo de bandidos e salteadores). A melodia “olé muié rendeira” foi criada pelo próprio Lampião, que além de bandido salteador, quando fugia da perseguição policial, tocava  sanfona e cantava em bailes nocturnos.

Lampeão era temido e respeitado por sua astúcia e inteligência. Aos 22 anos, cego de um olho, já era aclamado herói e controlava uma poderosa rede de espionagem desde o Ceará  até à Bahia. Dizia-se  que suas ordens eram cumpridas à risca, não falava duas vezes pois não gostava de conversas. Atacou a praia do Mossoró em 13 de Junho de 1927 a entoar a melodia “olé muié rendeira”.

PINGO D’ ÁGUA

Oswaldo de Souza [1904-1995]

Canção dedicada a Waldemar Henrique baseada no ritmo da dança “Bumba-meu-boi” recolhida no Rio Grande do Norte. A segunda parte é de livre invenção do autor. Adaptação de “quadrinhas” populares.

 

LUA BRANCA

Francisca (Chiquinha) Gonzaga [1847-1935], J. Octaviano (harmonização)

Canção celebrizada por grandes artistas nacionais foi escrita para a burleta “O Forrobodó”.

 

MODINHA

António Carlos (Tom) Jobim [1927-1994] e Vinicius de Moraes [1913-1980].

Parte do álbum Terra Brasilis, que inclui os maiores sucessos de ambos.

 

CARINHOSO (1917)

Alfredo da Rocha Viana Filho (Pixinguinha) [1898-1973], Carlos Alberto Ferreira Braga (Braguinha, Carlinhos ou João de Barro) [1907-]

Uma das mais importantes obras da música do Brasil. Composta em 1917.

1ª gravação: Dezembro de 1928, interpretado pela orquestra Típica Pixinguinha-Donga.

Teve mais duas gravações, a primeira, em 1929 pela Orquestra Victor-Brasileira, dirigida por Pixinguinha, e a segunda, em 1934 pelo bandolinista Luperce Miranda, figurando em ambos os discos, por erro de grafia, com o título de “Carinhos”.

Em 1936, a pedido da cantora Heloisa Helena, Braguinha fez a letra para o choro-canção instrumental de Pixinguinha, e assim nasceu o hino “Carinhoso”.

A 1ª gravação com a letra foi feita em 28.05.37, interpretada por Orlando Garcia da Silva (1915-1978) considerado o maior fenómeno popular que o Brasil já produziu. Era conhecido como o cantor das multidões. Nos anos 70 esta canção voltou à moda.

 

TICO-TICO NO FUBÁ

José Gomes de Abreu (Zéquinha de Abreu) [1880-1935], Eurico Barreiros

Aos bons amigos e distintos auxiliares da Casa Beethoven, Francisco Riso, Alfredo Capucci e Augusto de Carvalho, dedica o autor.

Choro-canção também de enorme vulto no repertorio brasileiro. Atingiu o ápice quando foi integrado na trilha sonora de seis filmes em Hollywood, inclusive com Esther Williams e Carmen Miranda.  Foi gravado por grandes estrelas internacionais como Ray Conniff, Michel Legrand, Henry Mancini, Paco de Lucia, entre muitos outros.

CHIQUITA

Harmonizado por Acchille Picchi.

À Exmª Srª D. Loduvina Amélia Sardoal.

Tango da América Latina, surgiu em Portugal por volta de 1946. Tem provavelmente alusão política.  Foi gravada pelo soprano Luiza Sawaya e Acchille Picchi no CD “O Cancioneiro”.

 

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