05 de Fevereiro 2022 | 21H30

CAE - Centro de Artes e Espetáculos da Figueira da Foz

FICHA ARTÍSTICA

Brian MacKay - Direcção
António Victorino d’Almeida - Piano
Katharine Rawdon - Flauta
Paulo Gaspar - Clarinete
Franz Dorsam - Fagote
Luís Vieira - Trompa
António Quítalo - Trompete
Taíssa Poliakova - Piano
Madalena Garcia Reis - Piano
Paulo Jorge Ferreira - Acordeão
Pedro Silva - Bateria
Luís Pacheco Cunha - Violino
Maria José Laginha - Violino
Isabel Pimentel - Violeta
Carmen Cardeal - Harpa

FESTIVAL CRIASONS III

ANTÓNIO VICTORINO D'ALMEIDA

Está de regresso o Festival Criasons, um dos principais eventos nacionais cuja missão é promover e divulgar amplamente a música erudita, com particular incidência na criação contemporânea produzida em Portugal.

Seguindo a fórmula de sucesso das edições anteriores, o festival apresenta programas inéditos de compositores consagrados e de novos nomes da composição escolhidos por concurso.

António Victorino D'Almeida apresenta o seu programa, intitulado "As Suites Teatrais III".

“AS SUITES TEATRAIS III”

A música de cena, tanto ou mesmo até mais do que as bandas sonoras cinematográficas, deve reflectir o mais possível a personalidade do dramaturgo, obviamente, a das personagens, mas também a do encenador.
Assim, se O Cerejal tem uma estética musical que se associa claramente, penso eu, a Tchekov e à Rússia do seu tempo, também me parece indiscutível que esta minha partitura se deveu em grande parte aos conceitos do encenador Achim Benning - ao tempo também Director do Burgtheater de Viena. 
Nessa encenação, a pequena orquestra de judeus ( que, noutras encenações, se faz apenas ouvir ao longe...) fazia, parte da acção, reagindo de acordo com as situações criadas pelas personagens, podendo até «perder a cabeça» e entrar, aqui e acolá, por uma linguagem caótica condizente com acção que se desenrolava no palco.
Já em Feydeau, a partitura de La puce à l'oreille, que também escrevi para o Burgtheater, segue claramente a linha estética do chamado teatro de boulevard, mas não conta nenhuma história paralela. Sobretudo, situa-nos na época, respondendo, de quando em quando, ao humor do texto.
Assim, talvez pudesse ter sido "outro compositor" aquele que escreveu a música de cena para "Uma Donzela para um Gorila", onde as truculências, por vezes surreais, do dramaturgo Arrabal  mergulham os espectadores num estranho mundo de absurdos, pincelados aqui e além por inesperadas notas de realismo. 
Este mundo de contrastes entre o burlesco e o brutal - ou também o sensual, com laivos de surpreendente candura -, foi-me sugerido pelo brilhante encenador Philippe Fridman, alguém que conseguiu transformar um grupo de jovens estudantes do Liceu Francês de Lisboa numa das melhores companhias teatrais de então.
A ligação do oboé ( também corne inglês) e da flauta à inusitada parceria de um piano e de um cravo, e destes a um naipe de percussionistas que engloba a chamada bateria de jazz, terá sido a minha tentativa de corresponder às truculências de Arrabal.

António Victorino D'Almeida, 2020

PROGRAMA

António Victorino d’ALMEIDA [Lisboa, 1940]
"Moita Flores – “Os Polícias”, op. 84, nº 7 (1980)  
Para piano, harpa, flauta, clarinete, trompa, trompete, trombone / baixo, violoncelo e percussão.    

António Victorino d’ALMEIDA [Lisboa, 1940]
António Patrício – “Dinis e Isabel”, op. 87, (1984)
Para piano, harpa, voz, flauta e trompa.

Daniel DAVIS [Caracas, 1990]
"Between a Man and a Butterfly” (2020)
Para violino, violoncelo e piano.
Obra em estreia absoluta composta especialmente para o Festival Criasons III.

António Victorino d’ALMEIDA [Lisboa, 1940]
"José Cardoso Pires – “O Render dos Heróis”, op. 81, nº 5  
Para duas trompas, dois trompetes, trombone, tuba e percussão.