26 de Outubro 2023 | 19H15

Tomar, Templo da Música (Igreja da Misericórdia)

FICHA ARTÍSTICA

YURI MARCHESE

Se o mundo fosse uma guitarra com Yuri Marchese

Este recital apresenta obras para guitarra clássica de compositores de diferentes regiões do mundo, realizando uma viagem por algumas das terras onde a guitarra obteve popularidade entre seus povos. As obras aqui apresentadas fazem parte do repertório que transformou a guitarra no instrumento mais popular do mundo no século XX a partir do legado deixado por guitarristas como Andrés Segovia, Julian Bream e John Williams e, por fim, refletem tradições locais e influências que compositores distantes tiveram de outras culturas. Partindo da Espanha, o local de nascimento da guitarra, temos as Variações sobre um tema de Mozart de Fernando Sor, um dos pilares da guitarra clássica.

Astúrias foi originalmente composta para piano, por Isaac Albéniz, como prelúdio de sua obra Canções de Espanha, mas se tornou um hino da guitarra clássica após o arranjo realizado por Francisco Tárrega desta peça. Há uma lenda de que Albeniz preferia a versão para guitarra à original. De Tárrega temos o Capricho Árabe, peça que evoca as raízes mouras da península ibérica a partir do lirismo característico do compositor que ajudou a redefinir a música para guitarra nos finais do século XIX.

Heitor Villa-Lobos é o maior do nome da música no Brasil e, também da guitarra clássica. Ele ajudou a redefinir a linguagem deste instrumento no século XX e desenvolveu sua música baseando-se no folclore brasileiro. O seu ciclo de Cinco Prelúdios retrata diversas facetas daquilo que o influenciou ao longo de sua vida artística.

Partindo para o outro lado do mundo, Yocoh mantem as tradições populares realizando um tema com variações a partir de Sakura, uma melodia tradicional de sua terra natal, o Japão. Agustin Barrios, compositor e guitarrista paraguaio contemporâneo de Villa-Lobos teve grande impacto no universo da guitarra após ser “descoberto” pelo guitarrista John Williams na década de 1970. Sua Valsa Op. 8 Nº. 3 (da qual só se tem notícia desta e da Nº. 4) é uma obra de um romantismo tardio, já pouco realizado na guitarra na primeira metade do século XX. Aygiz é uma melodia popular anatoliana-turca, cuja letra se baseia na história de um homem esperando pelo retorno de sua amada.

Por fim, duas peças que transmitem ideias de tradições distantes de seus compositores, Lisboa Antiga, em que Dilermando Reis realiza um arranjo da canção imortalizada por Amália Rodrigues, fundo musical das noites fadistas da capital portuguesa, e Tango en Skaï que, apesar de ser, de facto, um tango, Dyens a denomina como uma peça “fake”, meramente baseada no género argentino.

PROGRAMA

Fernando Sor – Introdução e variações sobre um tema de Mozart Op. 9
Isaac Albeniz – Astúrias
Francisco Tárrega – Capricho Árabe
Heitor Villa-Lobos – Cinco Prelúdios
Prelúdio Nº. 1: Homenagem ao sertanejo brasileiro
Prelúdio Nº. 2: Homenagem ao malandro carioca
Prelúdio Nº. 3: Homenagem à Bach
Prelúdio Nº. 4: Homenagem ao índio brasileiro
Prelúdio Nº. 5: Homenagem à vida social carioca
Yukijiro Yocoh – Variações sobre Sakura (Tema popular japonês)
Agustín Barrios – Valsa Op. 8 Nº. 3
Ahmet Kanneci (arranjador) – Aygyz (Peças Anatolianas, compositor anônimo)
Dilermando Reis (Arr.) – Lisboa Antiga
Roland Dyens – Tango en Skaï

Informações dos compositores 1. Fernando Sor: 1778, Barcelona - 1839, Paris.
2. Villa-Lobos: 1887 (RJ) – 1959 (RJ)
3. Barrios: 1885, Misiones, Paraguai - 1944, São Salvador, El Salvador
4. Tárrega: Vila-real, Espanha - 1909, Barcelona, ES.
5. Albeniz: 1860, Camprodon, Espanha - 1909, Cambo-les-Bains, França
6. Yocoh: 1925, Hita, Japão – 2009 (local de morte não encontrado)
7. Ahmet Kanneci: n. 1957, Halfeti, Turquia
8. Dilermando Reis: 1916, Guaratinguetá, São Paulo - 1977, Rio de Janeiro
9. Dyens: 1955, Tunes, Tunísia - 2016, Paris, França