Para esta edição, procurou-se uma temática mais abrangente e que fosse transversal, falei com o José Luís Peixoto na possibilidade de fazermos um projeto em que cruzaríamos música com literatura“, disse à agência Lusa o diretor artístico do CriaSons, o violinista Luís Pacheco Cunha.
Ao contrário das edições anteriores, a ideia não era a palavra cantada, mas que a música exprimisse as palavras e a dramaturgia dos livros de cada um dos autores, explicou.
A proposta é, explicou Luís Pacheco Cunha à Lusa, “a criação de composições a partir de obras magnas de um grupo de escritores“, que são, além de José Luís Peixoto, Valter Hugo Mãe, Gonçalo M. Tavares, Joana Bértholo e Dulce Maria Cardoso, e os compositores participantes são Amílcar Vasques Dias, André Carvalho, César Viana, Alfredo Teixeira e Estêvão Chissano.
O Festival, que vai decorrer em diferentes espaços lisboetas, entre os quais a Biblioteca José Dias Coelho (BJDC), a Biblioteca de Marvila (BM) e a Casa Jardim da Estrela (CJE), conta com quatro painéis: “Concertos com Livros”, “Encontros em Diálogo”, “Biblioteca Extravagante” e “Encontros Hip-Hop”, além das oficinas para jovens e crianças.
No âmbito dos “Concertos com Livros”, no dia 10 de janeiro, na CJE, o mote é a obra “A Máquina de Fazer Espanhóis”, de Valter Hugo Mãe, e o compositor é Alfredo Teixeira que irá dirigir um ensemble composto por Luís Pacheco Cunha, Cátia Santos (viola d’arco), Catherine Stryncke (violoncelo) e Yuri Marchese (guitarra elétrica), que será solista.
O segundo concerto, a 21 de fevereiro, também na CJE, é em torno de “Jerusalém”, de Gonçalo M. Tavares, sendo o compositor escolhido André Carvalho, com um trio de jazz.
Dia 31 de janeiro, na BM, realiza-se o espetáculo sobre a obra “Ecologia”, de Joana Bértholo, “um livro sobre os ecos, um livro sobre a linguagem, em que esta é o motor de arranque da dramaturgia do livro”, e que terá música original de César Viana, “Mus-cologia”.
Viana dirige o Ensemble Musicamerata com a pianista Natasa Sibalic.
O livro “Galveias” é o mote do terceiro concerto, no dia 07 de fevereiro, em Marvila, com música de Amílcar Vasques-Dias, que reside no Alentejo e “trabalhou as suas obras em torno do coral alentejano”.
Trata-se de “um concerto de música de raiz mais popular”, que será interpretada pelo próprio compositor ao piano, e que assume a direção musical de um conjunto composto por Pedro Santos, Paulo Gaspar, Pedro Tavares e Pacheco Cunha.
O compositor moçambicano Estêvão Chissano é o autor de “E-Terno”, concerto sobre o romance de Dulce Maria Cardoso, “Retorno”, que se realiza no dia 14 de março, na BM. Chissano dirige o Quarteto Lopes-Graça com o percussionista Aldovino Munguambe.
Referindo o “estímulo criativo” trazido pelos escritores, Luís Pacheco Cunha disse à Lusa que “são gente muito imersa no seu universo, por vezes quase incomunicável”.
O responsável citou o caso de Gonçalo M. Tavares, “que está a escrever um novo romance e desligou praticamente de tudo para se dedicar só à escrita”, porém “há outros mais disponíveis”, e citou a Joana Bértholo.
“O desafio principal é para os compositores que têm de trabalhar sobre uma matéria de inspiração. Nós decidimos que neste festival não íamos trabalhar a palavra, como é habitual, isto é, fazendo canções. A música aqui, na sua própria linguagem, exprime as mensagens e a dramaturgia de cada uma das obras, mas só por meios estritamente musicais, a palavra não entra aqui, a palavra só vai estar presente nos concertos, através de projeções vídeo de parte das obras”, salientou.
“Deixámos aos compositores a tarefa de exprimir por música aquilo que são as ideias de cada um dos livros”, enfatizou.
O painel “Encontros em Diálogo” propõe uma conversa entre um autor e um músico.
“No fundo são colóquios em que um dos intervenientes é músico e responde às perguntas que o moderador faz, tocando”, explicou Pacheco Cunha.
Este painel abre no dia 24 de janeiro, na Biblioteca Camões, com Valter Hugo Mãe e o músico brasileiro Yuri Marchese (guitarra elétrica).
A segunda etapa deste painel, no mesmo local, é no dia 28 de fevereiro, com Joana Bértholo e o compositor César Viana que vai tocar schakuachi, uma flauta de bambu japonesa, que servia para meditação dos samurais e como arma de guerra, explicou Pacheco Cunha.
O painel prossegue, no 14 de fevereiro, na Biblioteca Histórica do Liceu Camões, com José Luís Peixoto e o compositor e pianista Amílcar Dias-Vasques.
A BJDC, em Alcântara, recebe as duas outras etapas, no dia 7 de março, com Gonçalo M. Tavares e o clarinetista Paulo Gaspar, e no dia 21 de março, Dulce Maria Cardoso e o percussionista moçambicano Aldovino Munguambe.
Os “Encontros Hip-Hop” na BJFC e na BM, respetivamente, a 17 de janeiro e 28 de março, contam com o ‘rapper’ Valete.
Em Marvila, realiza-se uma oficina em que jovens ‘rappers’ do projeto “Horizontal 360”, da Junta de Freguesia de Benfica, liderado por Valete, interagem com outros jovens, e, na biblioteca de Alcântara, Valete atua com um trio de jazz, o Quarteto Lopes-Graça e o clarinetista Paulo Gaspar.
A “Biblioteca Extravagante” é um projeto de leitura animada com o ator F. Pedro Oliveira, e a participação de um músico que vai pontuando as histórias musicalmente, com o objetivo de “estimular a evolução intelectual da criança”.
Esta iniciativa realiza-se na BJDC, nos dias 17 de janeiro, com Pacheco Cunha, e 14 de fevereiro, com Paulo Gaspar, e na BM, no dia 31 de janeiro, com Pacheco Cunha, 27 de fevereiro, com Paulo Gaspar, e, no dia 14 de março, com o acordeonista Pedro Santos.
